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segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

abismo

meu esôfago queima. minha lingua derrete e eu não consigo falar. meu chackra arde como nos dias de Angélica. não penso em nada. vejo apenas um fundo infinito monocromático. meus braços não respondem aos comandos. não consigo mostrar os meus dentes hoje. quero apenas as paredes infinitas. na minha cabeça toca "os pássaros". não faz mais diferença nenhuma. a salada de fruta está azeda. não suporto esse cheiro de perfume. o céu se rasgou sobre a minha cabeça. eu estou na contra-mão da sua vida. a cada abraço errado a solidão aumenta. a cada beijo mentido eu acredito menos em mim. não aceito o que escolhi. não escolho mais ninguém.

domingo, 5 de dezembro de 2010

trilha perfeita para não existir

não. não era sua voz ao telefone. não. você não pediu para que eu ficasse. não. você não comentou sobre o meu sorriso. não. você não tem saudade do meu abraço. não. você não viu o meu cabelo. não. não entende a solidão. não. não sabe que eu existo. não. não procura as minhas mãos. não. não deseja a minha boca. não. não entende o quanto eu choro. não. não entende porque eu choro

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

realidade ou desejo incerto.

estou de volta a janela.
olhando lá pra fora tudo continua intacto.
aqui dentro, já não mais.
os olhares mudaram, a tristeza continua.
a intenção tímida de pecar contra a própria espera.
a mesma música não para de tocar.
o rosto continua enrubecido e ainda quero ir embora.
peregrinos solitários.
parados ficam.
sem resposta permanecem.
just, don´t leave.
don´t leave.
but i´m just killing time.
.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

O menino-homem-tigre

Eu via ninfas com cabeça de bode dançando em torno daquela fogueira.
Os homens, com suas cabeças de fogo e barba talibã, encantavam as ninfas usando suas harpas douradas.
No meio da noite cabeças ejetavam de seus corpos e se dissolviam no ar.
Aurora boreal no céu de estrelas!!

As ninfas, já enlouquecidas, despidas sem pudor devoravam os homens-barba-talibã.
A ninfa roxa cantava seu hino a bel canto que explodia os corpos dos rapazes com tronco de besta.
Foi então que o centurião chegou, com seu chifre unicórnio e suas vestes brancas.
Desceu do disco amarelo com seu cajado e abriu a boca emitindo seu grito abafado ensurdecendo as ninfas nuas e espalhando a fogueira.

Naquele dia eu vi, chorando na cadeira marrom o menino-homem-tigre.
Ele queria se erguer, mas se perdeu durante a dança da lua em aquário.
Pobre menino, com seus vasos estourados e suas pernas inchadas.

Naquele dia eu vi, o menino-homem-tigre e seu sorriso anil com a mão estendida feliz ao ver sua mãe.

Naquele dia eu senti, que o chão se abriu e eu sumi no rochedo. Caí nos espinhal e me debatia tentando sair.
Chorei mais que o menino-homem-tigre e me contorcia por dentro e por fora.
O sorriso anil do menino-homem-tigre não saia da minha cabeça e eu chorei para o centurião por causa da ninfa rosa.
Ela tentou comer minha cabeça!
O centurião me bateu com seu cajado e me mandou para os espinhos.
O chão se abriu de novo e eu vi, o menino-homem-tigre gritando meu nome me chamando de mãe.
Peguei o cajado do centurião e matei a ninfa rosa.
A ninfa roxa cantou para mim tentando enfeitiçar, mas me lembrei do sorriso anil e fui mais forte.
.
.
.
Hoje, o céu está mais limpo.
O céu ficou mais anil...deve ser o sorriso do menino-homem-tigre!

sábado, 28 de junho de 2008

Ela era meio assim:

Se doia toda

Morria desde pequena

Poucos sabiam como sempre morria

Poucos entendiam porque ela morria

Cheia de saúde física e de humor-debochado-irônico

Poucos entendiam como ela morria
Aos que não entendiam, restava o sorriso de lado e as piadas de bêbado
Restava a malandragem copiada para enganar

Numa manhã de domingo ela acordou sem paladar e quando abriu os olhos, percebeu que não havia dormido.

...

...

Ela se viu, sossegada, sóbrea como nunca havia acontecido

Ela sorriu e chorou e sorriu e chorou, até que se calou e adormeceu novamente.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

EPÍSTOLA DE 21 DE AGOSTO

Estendo em vão os braços para prende-la, ao raiar do dia, quando começo a despertar dos sonhos importunos; à noite, estirado sobre a minha cama, procuro-a, embalde, se a inocente ilusão de um sonho feliz faz-me acreditar que estou sentado junto dela, na campina, cobrindo de beijos a sua mão!
Ai de mim!
Quando, ainda mal desperto, a procuro a meu lado, tateando, e, ao faze-lo, arregalo completamente os olhos à realidade, uma torrente de lágrimas não pode mais ser contida pelo meu coração esmagado. Choro, contemplando cheio de amargura o sombrio futuro que me aguarda.

(OS SOFRIMENTOS DO JOVEM WERTHER)