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segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

défcit de atenção

apenas quando lhe convém. com relação a mim convém bastante. não se recorda a idade. nem sei como pode lembrar a data natalícia. talvez não saiba mais as minhas formas. talvez seja apenas um escudo. talvez. não mereço isso tão repartido. não mereço fragmentos de memória. não mereço lembranças convenientes. não mereço incertezas. não haverão lembranças. meus pensamentos estão desordenados. abraço mentido atras de abraço mentido. beijo errado atras de beijo errado. novo abismo. agora sob meus pés. meu chackra dói demais. nada para aqui dentro. volto a não aceitar o que escolhi. volto a ter medo de escolher alguém.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

clarice sempre teve razão

chato. cansativo. sem solução. limbo eterno.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Desabafo de Boteco

Não sei onde eu estava até agora.
Enfiada em coisas que eu não acredito, me deixando levar pelas necessidade de quem não precisa de mim.
E quando eu precisei de mim me encontrei sentada, preocupada, muito ocupada tentando ser uma ponte sorridente e coesa.

Nada mais importa!
Me sinto tetraplégica.
Queria correr e gritar mas os aparelhos das minhas pernas e braços não me deixam.
E eu falo, mas ninguém acredita...até que eu sinta que perdi completamente.

Preciso de asas.
De reação química.
De um completo colapso.
Meu chakra continua doendo.
A job that slowly kills u
U
U
U
U
But why would i want to do a thing like that???????

quinta-feira, 12 de março de 2009

o mantra do desgraçado!

cansei
cansei
cansei
cansei
cansei
cansei
cansei
cansei
cansei
cansei
cansei
cansei
cansei
cansei
cansei
cansei
cansei
cansei
cansei
cansei
cansei
cansei
cansei
cansei
cansei
cansei

sábado, 27 de dezembro de 2008

Silêncio

Não há mais bombas em meu quintal,
Com elas foram-se também as flores.
E este silêncio infernal,
Reflete bem as minhas dores.

Não há mais bombas em meu quintal,
E se um dia nascerem rosas?
E se um dia nascerem tumores?
Refletem bem as minhas dores.

Cadê as pedras da minha casa?
Cadê as páginas da minha história?
Chegou o dia!
Nasceram rosas!
Chegou o dia!
Nasceram tumores!

ps: encontrado no fundo falso de uma gaveta de coisas do extinto colegial.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Cosme e Damião

eu ia escrever sobre este tal Eduardo, desisti...
maldito Eduardo, gostei do que escreve
.
.
não eu, o Cosme gostou...mas quando o Damião ler isso...
hummmm
.
.
NÃO vale a pena ler este texto, mas eu lí e gostei não gostando!
.
.
http://www.eduardohaak.kit.net/claricelispector.html

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Os Melhores da Melhor

para todos os que nunca sentiram o gosto amargo de uma barata mas que por várias vezes morreram calados diante da mediocridade de quem não entende.

http://www.4shared.com/network/search.jsp?searchmode=2&searchName=clarice

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Avareza

Ter nascido me estragou a saúde.
(LISPECTOR, Clarice)

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Felicidade Clandestina




Ela era gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente crespos, meio arruivados. Tinha um busto enorme, enquanto nós todas ainda éramos achatadas. Como se não bastasse, enchia os dois bolsos da blusa, por cima do busto, com balas. Mas possuía o que qualquer criança devoradora de histórias gostaria de ter: um pai dono de livraria.
Pouco aproveitava. E nós menos ainda: até para aniversário, em vez de pelo menos um livrinho barato, ela nos entregava em mãos um cartão-postal da loja do pai. Ainda por cima era de paisagem do Recife mesmo, onde morávamos, com suas pontes mais do que vistas. Atrás a palavras como “data natalícia” e “saudade”.
Mas que talento tinha para a crueldade. Ela toda era pura vingança, chupando balas com barulho. Como essa menina devia nos odiar, nós que éramos imperdoavelmente bonitinhas, esguias, altinhas, de cabelos livres. Comigo exerceu com calma ferocidade o seu sadismo. Na minha ânsia
de ler, eu nem notava as humilhações a que ela me submetia: continuava a implorar-lhe emprestados os livros que ela não lia.
Até que veio para ela o magno dia de começar a exercer sobre mim um tortura chinesa.
Como casualmente, informou-me que possuía As reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato.
Era um livro grosso, meu Deus, era um livro para se ficar vivendo com ele, comendo-o, dormindo-o. E, completamente acima de minhas posses. Disse-me que eu passasse pela sua casa no dia seguinte e que ela o emprestaria.
Até o dia seguinte eu me transformei na própria esperança de alegria: eu não vivia, nadava devagar num mar suave, as ondas me levavam e me traziam.
No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte para buscá-lo. Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a andar
pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas de Recife. Dessa vez nem caí: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez.
Mas não ficou simplesmente nisso. O plano secreto da filha do dono da livraria era tranqüilo e diabólico. No dia seguinte lá estava eu à porta de sua casa, com um sorriso e o coração batendo.
Para ouvir a resposta calma: o livro ainda não estava em seu poder, que eu voltasse no dia seguinte.
Mal sabia eu como mais tarde, no decorrer da vida, o drama do “dia seguinte” com ela ia se repetir com meu coração batendo.
E assim continuou. Quanto tempo? Não sei. Ela sabia que era tempo indefinido, enquanto o fel não escorresse todo de seu corpo grosso. Eu já começara a adivinhar que ela me escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho. Mas, adivinhando mesmo, às vezes aceito: como se quem quer me fazer sofrer esteja precisando danadamente que eu sofra.
Quanto tempo? Eu ia diariamente à sua casa, sem faltar um dia sequer. Às vezes ela dizia: pois o livro esteve comigo ontem de tarde, mas você só veio de manhã, de modo que o emprestei a outra menina. E eu, que não era dada a olheiras, sentia as olheiras se cavando sob os meus olhos espantados.
Até que um dia, quando eu estava à porta de sua casa, ouvindo humilde e silenciosa a sua recusa, apareceu sua mãe. Ela devia estar estranhando a aparição muda e diária daquela menina à porta de sua casa. Pediu explicações a nós duas. Houve uma confusão silenciosa, entrecortada de palavras pouco elucidativas. A senhora achava cada vez mais estranho o fato de não estar entendendo. Até que essa mãe boa entendeu. Voltou-se para a filha e com enorme surpresaexclamou: mas este livro nunca saiu daqui de casa e você nem quis ler!
E o pior para essa mulher não era a descoberta do que acontecia. Devia ser a descoberta horrorizada da filha que tinha. Ela nos espiava em silêncio: a potência de perversidade de sua filha desconhecida e a menina loura em pé à porta, exausta, ao vento das ruas de Recife. Foi então que, finalmente se refazendo, disse firme e calma para a filha: você vai emprestar o livro agora mesmo.
E para mim: “E você fica com o livro por quanto tempo quiser.” Entendem? Valia mais do que me dar o livro: “pelo tempo que eu quisesse” é tudo o que uma pessoa, grande ou pequena, pode ter a ousadia de querer.
Como contar o que se seguiu? Eu estava estonteada, e assim recebi o livro na mão. Acho que eu não disse nada. Peguei o livro. Não, não saí pulando como sempre. Saí andando bem devagar.
Sei que segurava o livro grosso com as duas mãos, comprimindo-o contra o peito. Quanto tempo levei até chegar em casa, também pouco importa. Meu peito estava quente, meu coração pensativo.
Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não o tinha, só para depois ter o susto de o ter. Horas depois abri-o, li algumas linhas maravilhosas, fechei-o de novo, fui passear pela casa, adiei ainda mais indo comer pão com manteiga, fingi que não sabia onde guardara o livro, achava-o, abria-o por alguns instantes. Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre ia ser clandestina para mim. Parece que eu já pressentia. Como demorei! Eu vivia no ar... Havia orgulho e pudor em mim. Eu era uma rainha delicada.
Às vezes sentava-me na rede, balançando-me com o livro aberto no colo, sem tocá-lo, em êxtase puríssimo.
Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com o seu amante.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

"A COZINHEIRA FELIZ, A GRANDEZA DA SINCERIDADE"

"Therezinha meu amor. Estás sempre em meu coração. Desde o momento em que a vi meu coração tornou-se cativo de seus encantos. Ao vê-la meiga e bela senti minh´alma perturbada minha vida até então vazia e triste. Tornou-se cheia de luz e esperança acesa em meu peito a chama do amor. O amor que despertou em mim. Therezinha queridinha do coração é iluminado pela sua pureza e encontra em meu coração a grandeza de minha sinceridade. Que felicidade podemos encontrar um dia num coração que pulse junto ao nosso, irmanados nas doçuras e agruras da vida um coração amigo que nos conforte uma alma pura que nos adore e leve ao céu doce balada de amor a mulher querida com que sonhamos. Eternamente seu apaixonado Edgard. Da Therezinha querida peço-lhe. Resposta. Estrada São Luiz, 30-C, Santa Cruz é o meu Endereço."