o rapaz do cajado árabe me visita toda noite. as vezes eu sinto o seu abraço me apertando até que eu começo a sorrir. me encolho e fico menor. sinto sua respiração tão perto e sincronizo com a minha. seus dentes arranham meu pescoço e gargalhadas simultâneas ditam o ritmo. palavras de duplo sentido e piadas sem nexo. os olhos dilatados se encontram em tom de ressaca.
eu o criei e não quero matá-lo.
talvez ele esteja materializado por aí.
talvez me sinta também.
não sei, a curiosidade e a vontade perduram ainda e eu quase desisto.
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
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